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O Gajo que Vai para Lisboa

Todos os dias, alguma merda acontece durante a hora e quarenta minutos de comuta diária entre Lisboa e Margem Sul.

O Gajo que Vai para Lisboa

Todos os dias, alguma merda acontece durante a hora e quarenta minutos de comuta diária entre Lisboa e Margem Sul.

Agulha caótica

Fertagus, Fertagus. Ah, Fertagus. Tens pontaria.

17 horas e 45 minutos, combino eu todo contente com a minha namorada, sair já e antecipar assim uma meia-horinha (ou mais) a hora de chegar a casa.
Não. Claro que não. Ainda chegámos mais tarde.

Lá se teve de avariar uma agulha entre Coina e Fogueteiro, e estavam a enviar rajadas de comboios para cima e para baixo, à vez, por a única via disponível.

Nem foi tanto o esperar. Era mais a antecipação do embarque. Resolvi voltar para trás, a partir de Campolide, e tentar a sorte, com melhores hipóteses, lá para Entrecampos (é sempre Entrecampos ❤️ ).
A plataforma de Sete-rios estava completamente preenchida, não devem ter sido momentos fáceis.

Sei que não têm grande culpa numa avaria (ou secalhar têm), e até foram relativamente rápidos com o controlo de danos. Informaram no Facebook e tudo! Só isso já é uma enorme prova de fé.

Continuo é sem perceber como é que caem catenárias só porque sim...

"Bom dia para si também"

Uau. Passaram quase 3 anos desde a última vez que por aqui escrevi.
Muita coisa mudou, um pouco por todo o lado. Mudei de trabalho, de estações, de casa, de vida... mas continuo a ter de vir para Lisboa, e continua a não haver muita escolha no meio de transporte. Feliz ou infelizmente, há merdas que não mudam.

Vou voltar à minha querida Entrecampos, depois de uma violenta incursão por as CP da vida, estações esquecidas e cabos do mundo, por onde havia tanto para escrever, mas nenhum vagar. O bom filho, a casa torna. Olá Fertagus. Sim, ninguém quer saber de ti. É só interesse, porque sabes passar a ponte.

O belo do Navegante a 40 parrecos trouxe e levou algumas coisas:

 

  • Trouxe transporte acessível a inúmeras pessoas
  • Trouxe uma considerável redução de custo no orçamento familiar
  • Levou, definitivamente, a qualidade do serviço

 

Mas não levou a qualidade por ser o tipo de passe que é, nem o que isso significa em termos de procura. Levou a qualidade porque a oferta não aumentou. Falando só no operador que mais preciso, já nem pedia maior frequência de comboios, porque isso implica muita coisa. Mas custará assim tanto fazerem apenas composições de 8 carruagens em horas de ponta? Será que não há material?
Bom, para ser justo, a Fertagus fez alguma coisa em relação a isto. Mudou alguns horários e alterou algumas carruagens.

O acréscimo de clientes também aumenta a probabilidade de acontecerem coisas. Era aqui que queria chegar.

A malta anda muito, muito impaciente. Anda tudo com os nervos em franja, e a proximidade forçada tende a violar o "espaço pessoal" de cada um, signifique isso lá o que significar. Pouca coisa é agora transformada em muito, e as pequenas parvoíces que se continuam a verificar são agora amplificadas e motivo de "tenho de dar um raspanete a esta tipa".

Continuam a teimar ficar às portas, continuam a entrar pessoas sem que as que estão no comboio tenham saído, e continuam a justificar atropelamentos com a corrida às cadeiras. É natural depois que se peguem.

 

"Bom dia para si também" foi o argumento encontrado hoje por uma utilizadora incomodada, depois de um tipo a ter lembrado que "não podia acampar ali, quando estava com tanta pressa para entrar". A mulherzinha estava no corredor da carruagem, o comboio a arrancar, e afinal o gajo só queria passar para estar a menos de 1 metro e meio dela, do lado de lá.

"Acampar aqui" nem sequer tem assim tanta piada, palhacito.

Escolham as vossas lutas.

 

 

Economia de Entrecampos

A bombar! É como tem estado o empreendedor de Entrecampos.

O tipo lá desencanta cachecóis e chapeús de chuva para desbaratar por ali. Já experimentaram ouvir o homem? O pregão do gajo são quase ameaças:

 

  • É para despachar tudo, que o pobre tem de se ir embora
  • Mas isto é tudo homens e raparigas quentes?
  • Isto é para despachar hoje, que amanhã já não há

 

Acho que a malta já nem o aborda por vergonha da exclamação resultante. Talvez experimente um dia.

 

Em outra observação, desde algum tempo para cá que Entrecampos conta com uma espécie de pizzaria ali no meio do corredor. Pensei que o modelo era parvo, mas subestimei o respeito do tuga por uma dieta saudável versus a comodidade de encher a cara de pizza a caminho do trabalho.

Aquela cena está sempre a despachar. Ao menos deixa um cheirinho porreiro... só faltava a cota chinesa da loja de música, a bombar Bon Jovi com as colunas a rasgar. Ahh, memórias.

 

Abrir uma pizzaria mesmo paredes meias com uma ervanária que promove mezinhas para emagrecimento fácil é capaz de ser para lá de genial, para ambos os negócios. Qualquer que seja a decisão da consciência de cada um, vão entrar em uma das duas e ficar a pensar na outra.

É preciso tirar antes de meter

Nada de grande alarido. Nada de grande alarido foi o que se passou, ou não passou, na andança de hoje.

Quando passa um dia que se classifica como um dia sem grande alarido, é tempo de reflexão. E se não era, passou a ser. Problemas?

 

O que é que é tão difícil de perceber na forma como se devem processar as entradas e saídas no Metro?

Se o metro vai à pinha, porque é que é tão difícil perceber que é preciso primeiro tirar para que se possa voltar a meter?

 

Mas esta gente limpa o cu antes de cagar e mete a roupa suja na máquina antes de tirar a lavada?

 

O comboio não vos vai fugir com facilidade assim como não vai arrancar com alguém lá dentro que queira sair. Enquanto houver movimento nas portas, ou alguém que as impeça de fechar, o comboio não arranca.

Parece-me perfeitamente lógico que o espaço que está ocupado tenha de ser desocupado para que possa voltar a ser ocupado. Mais, se isto acontecer de forma síncrona, e não paralela, a coisa até se processa de forma mais eficiente.

Portanto, desimpeçam a saída do comboio na plataforma e formem filas nas extremidades de cada porta. As filas são uma boa regra social. É usar.

 

É isto e a malta que prefere placar a massa e ir prensado contra a porta em detrimento de esperar 5 ou 10 minutos.

 

O que ainda não percebi é porque razão isto me incomoda tanto...

Hoje, cachecóis

Caladinho, caladinho, sossegadinho, sossegadinho, munido de um lote de cachecóis e completamente inanimado, lá estava o guerreiro de Entrecampos, encostado à parede como que à espera para ser activado.

Cachecóis fazem mais sentido que meias, mas ainda assim...

 

Entrecampos esteve impossível ao final do dia. Provavelmente por a ameaça de bomba na gare do Oriente.

É muito fácil condicionar um espaço público nos dias que correm. Apenas com um telefone. As maravilhas da tecnologia.

Sinistros e peditórios

Começou cedo hoje.

Logo para abrir com estalo, num dos parques da Fertagus, algo que já tinha pensado mais que uma vez aconteceu: "a merda que não seria bater no carro que está à cancela do parque?".

Agora, passando por isso, reformularia para: "a merda que não seria estar atrás do gajo que bateu no carro que está à cancela do parque".

Pior que isso, só quando é o gajo que está à cancela a fazer descair o carro e a bater (bater... encostar) no que vem atrás, e esse atrás ser um nervosinho que não queria tirar dali a carroça nem a tiro. 

 

"O telefone tira fotos, a mulher não foge e desviavam as latas aqui para o lado.
Há quem queira entrar no parque", expliquei eu.

 

Ainda me respondeu mal. Dou desconto, porque parece que o carro nem era dele, e devia ser novito. Nem me aventurei a tentar explicar-lhe que também ele vinha a dormir para não reparar que a tipa da frente estava a descair, e que não estava a guardar uma distância decente.

Arreda lá isso para o lado, e segui. Ainda me fez perder um comboio, o estupor.

 

Em Entrecampos lá estava o iluminado das peúgas novamente, a pregar a ladainha.

Desta vez já percebi 3 pares por 1 euro. Ou foi tramado de escoar o stock de ontem, ou percebi (muito) mal.

(mas alguém compra aquela merda ali?)

Amanhã deve estar com chapéus de chuva a mil paus. Sempre é mais inteligente.

 

O Metro, ao voltar, é que me surpreendeu: estava com problemas e atrasos por consequência.

Sim, eu sei. Mas reparem: explicita e assumidamente em todas as linhas. É novidade para mim.

Ainda esperei por um comboio, mas estavam a vir tanto à pinha que decidi voltar a pé, como deveria fazer sempre.

Não conheço quase nada dessa terrinha, mas sei que se for sempre em frente desde o Saldanha, e se não começar a ver o Marquês de Pombal, significa que vou chegar a Entrecampos, eventualmente.

Ainda me valeu 3 esquivas constrangedoras de uns tipos de colete, aparentemente a pedir dinheiro para salvar cães, ou porra que se pareça.

Como é que um gajo descarta uma situação destas, graciosamente, sem parecer uma besta?

Eu dantes parava, ouvia o que o tipo tinha para desbobinar, só para no fim o mandar à merda. Parece-me pior do que o mandar à merda logo à cabeça. Foi isso que fiz hoje, com uma cartada de mestre: "não tenho disponibilidade, desculpa".

 

Não é que eu seja um insensível. Sou é um teso. Antes dos cães, ainda tenho que me safar a mim.

A maquinista

Hoje lá aconteceu uma inédita.

O comboio teve de parar mais tempo que o normal na estação do Fogueteiro.

Ao fim dos 30 ou 40 segundos depois da hora de partida, como é habitual, lá se ouve o toque da comunicação do maquinista que tem a estranha capacidade de silenciar uma carruagem. Pavlov ficaria extasiado.

Não creio que a malta faça tilt só para realmente ouvir o que o maquinista tem para dizer. Acredito que o faça mais para realmente ouvir como o maquinista o vai dizer, que é diferente. Já apanhei artistas que envergonham o mais estereotipado agente da brigada de trânsito.

Do que eu não estava à espera, era de uma vozinha suave que com calma, pausa e excelente dicção lá informou que estávamos parados devido à sinalização, pois esses gajos da CP são uma cambada de selvagens.

E 20 segundos depois, repetiu. Ipsis verbis. Não vou mentir. A tensão sexual naquela carruagem era palpável.

 

Completamente não relacionado, hoje o gajo de Entrecampos estava a vender 3 pares de meias por 5 euros, ou pelo menos foi o que julguei ouvir. Ainda não decidi se vender meias numa estação é de génio ou se é só parvo.

 

 

 

A intrincada ciência das escadas

Nove e pouco na estação, comboio a chegar de Setúbal. Quase lotado, normal.

Lugar sentado, tranquilo. A típica atmosfera carneira quase até ao fim da viagem. Quase porque, Entracampos dá finalmente a tacada.

Não sei se é o mesmo por todas as estações de Metro, mas existe algo profundamente maquiavélico em todos os utentes do Metro (como avaliado por todos os outros à volta de cada um) na maneira como utilizam umas escadas.

Não me refiro à coordenação motora necessária para ultrapassar degrau atrás de degrau. Refiro-me aos sentidos de trânsito, qual via automóvel.

 

Deixa-te de merdas Zé. Todos sabem da regra implícita da direita e da esquerda, no que toca a escadas

 

Certo, rabicho, escadas rolantes. Resolve o problema dos que usam a escada como uma escada (!) e dos que a usam como esteira. É uma regra palmada do código da estrada: queres ver a vida passar? Direita. Queres passar por a vida? Esquerda. Queres ver a vida passar à esquerda? Chega-te para o lado, burro!

 

Estas escadas não mexem. Trata-se de uma larga escadaria, qual autobahn da populaça, onde milhares de pessoas sobem e descem diáriamente, e que tirando alguns bons espalhanços, nunca foram grande palco de espetáculos.

Até hoje caríssimos.

 

Eis senão quando surgem, e para meu regozijo, uma de cada lado, duas tipas cada uma com o seu terminal móvel.

Aquele típico espécime que descasca no comum mortal em alto e bom som (mas para o telefone, como quem se desculpabiliza do que está a dizer), como se os transeuntes, todos eles inferiores, tivessem a obrigação moral de ouvir e interiorizar aqueles ensinamentos, enquanto se chibatam vigorosamente com uma grande verga psicológica.

Estas cidadãs estão a chegar à estação. A saída do comboio, e penso que estamos todos de acordo, não é a situação mais stressante nestas andanças: acabou-se de sair da lata e não existem pistas visuais e/ou sonoras para inferir a marcha a adoptar, como é o caso do infame "pi pi pi" enquanto se ainda tem uma pirâmide azteca para descer.

 

Portanto, a chegar à estação, onde se deparam com um mar de gente apressada para chegar ao comboio, e o sentido que sempre observei foi o caminho mais curto para quem desce, e o mais longo para quem sobe. É o que me parece mais lógico. Oh boy, o errado que eu estava. Pelo menos para uma das donas, que resolveu optar por o caminho mais curto e armar-se em Mufasa, e como é natural acabou por levar alguma cacetada de um gnu menos atento.

 

"Irra, que esta gente não sabe andar nas escadas, havias de ver isto", exclama a madame no alto da sua intransigência, lá para quem está do outro lado do telefone. Imediatamente, com a velocidade de um impulso nervoso entre sinapses, ouve-se no outro extremo: "Não é normal, Clara, a maneira como esta gente anda nas escadas do metro". Era como se estivessem ao telefone uma com a outra. Foi lindo.

Eu estava no meio. Fiquei sem saber.

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